terça-feira, 10 de maio de 2016

AS PREVISÕES DE MADAME MINIE

Madame Minie sempre viveu das bruxarias e adivinhações. Descobriu-se além aos 11, quando disse que a gatinha do vizinho morreria, porque havia visto. Batata, um carro pegou a bichana, uma gata preta linda, e, contrariando a opinião pública e crendices populares, a gata preta trouxe a sorte para ela. Logo a mãe começou a, digamos, divulgar os dotes da menina em troca de um investimento.

Sim, começaram a enriquecer. Depois que a mãe morreu, e ela passou a noite anterior toda ao lado dela, decidiu seguir só. Casamentos, namoros, trabalhos, traições todas as situações passavam pelos seus olhos e passavam de modo certeiro, nunca errou, nunca errava. Poderia passar horas falando de todas os acertos. 

As viagens e bens eram a materialização do sucesso. E, para isso,cobrava caro. 500 reais a sessão, 5 vezes por semana, 8 atendimentos por dia. Sim, quase cem mil por mês. Não casou, preferiu seguir só, fazer tudo só. Não confiava em ninguém. Cuidava do site, da agenda, do dinheiro. Julgava-se uma super-heroína, invencível.

Entediada, e nunca se poderá imaginar por quê, decidiu fazer um jogo durante aquele mês: se errasse um segredo do cliente, a sessão sairia de graça. Para tal, ela pedia que o cliente, na antessala, e sem que ela visse, óbvio, escrevesse algo do passado ou um desejo. O cliente entraria, deixaria o papel dobrado em cima da mesa e, no fim da sessão, madame abriria o segredo e se revelaria se o dinheiro apareceria ou não.

Decidiu ampliar o mês para sábado também, porque queria um extra para ir a Europa por um mês. Nem se carece dizer que a mulher passou o mês faturando muito. O boca a boca se multiplicava, e a super-heroína ia ganhando fama, dinheiro e admirações. 

Depois de 3 semanas, naquela quinta-feira fria, às 18h, no último horário, um rapaz apareceu. Terno Armani, perfume francês. Depois de 25 minutos de blá-blá-blá, ela parou estarrecida, pôs a mão na dele e disse para dissuadir daquela ideia. Por mais cruel que fosse a pessoa, o cara não deveria matar ninguém. Que a vida era mais que isso, que a maldade não poderia vir de ninguém, que o rancor deveria ser sufocado, que ganância alguma poderia calar o bem ou o bom senso, que... BANG!

Caía morta a madame. O rapaz se levantou e vasculhou tudo o que pôde. Joias, dólares, euros. Não se pode saber quanto ele levou, mas pode-se ter a certeza de que se ratificou a velha máxima: ninguém salva os super-heróis nem eles a si mesmos!  

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