quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

SHAKESPEARE AO EXTREMO

Não nos cabe aqui enaltecer mais ainda as qualidades boas de quem atua. Declarar-se ator no Brasil já é de uma dignidade e de uma coragem ímpares. Saber da dedicação da profissão, que muitas vezes nem esse nome tem, prefere a maioria chamar de passatempo cultural.

Também não caberiam quantas histórias que envolvem atores pelo mundo. Poderia relatar um, que tinha de comer durante toda a peça. O cara passava o dia sem almoçar para unir profissão, necessidade e prazer.

Houve até quem, interpretando Judas Iscariotes, literalmente tenha se matado. Infelicidade horrível e duplamente, por quem interpretou Cristo não tenha a mesma habilidade que o Nazareno. Não houve quem ressuscitasse no terceiro dia.

Dentre as muitas dedicações a esta arte linda, vamos encontrar um rapaz dedicado, com 4 anos de experiência, numa peça em excursão pelo Brasil. Poucas falas, mais figuração. Oportunidade única, havia dois globais protagonizando a obra.

Fato é que ele tinha de espirrar no começo do terceiro ato. Vai se saber o motivo, mas o diretor – e quem é do meio, sabe que essa profissão é mais insana do que racional – queria e teimava que o rapaz deveria literalmente espirrar. 

O mesmo diretor era famoso por convencer uma atriz a se cortar de verdade em cena. O que renderam a ela cicatrizes para o resto da vida. Significa que um simples espirro era nada e livre de sequelas.

Durante os ensaios, ele simulou o espirro. Mas sem fugir da rigidez do diretor. “No dia será real, no dia será real”. Mas como espirrar realmente e no momento certo. Era isso que ele perguntava ao diretor, que sempre dizia: “para compor uma personagem, você se entrega, faça isso com seu nariz”.

Tensão. Tentou cheirar perfume forte, era certeiro, mas demorava alguns segundos. Precisava de algo preciso. Cheirou serragem, também não rendeu bom resultado. Já desesperado, ele se irritou e socou o próprio nariz, o que resultou num espirro imediato. BINGO!

Tentou socar o nariz nos dias seguintes. Perfeito. Deixou para o ensaio final e arrancou aplausos de todos, cena real demais. O diretor estava extasiado; o ator, esperançoso, e a peça, salva. Aperfeiçoou o soco num simples tapa, quase imperceptível ao público.

Estreia, casa cheia, jornalistas a mil. O nome do diretor trazia um marketing todo diferenciado. Mera para todo lado, a peça começou. Todos confiantes no espirro real do ator. Início do terceiro ato, ele entra, soca levemente o nariz e o espirro vem de imediato.

De imediato também um incrível ranho (um à parte, é a primeira vez que escrevo isso na vida) é arremessado direto na boca da atriz, que, enojada, solta um vômito em jato na cara do ator, que vomita enojado.

Parece que houve outros vômitos na coxia, houve alguns na plateia também, e a peça teve entrou para o marco das bizarrices. Houve quem aplaudisse, houve quem criticasse.

No dia seguinte, o diretor amou o cheiro azedo, real demais, e queria que todos vomitassem de novo. Pior seria arranjar o papel de faxineira, quem assumiria tal façanha. Soldaram Fernanda Montenegro, mas a dama ainda não respondeu ao convite.


terça-feira, 26 de janeiro de 2016

TEOBALDO, O DOG ALEMÃO, E O ANÃO


Ter um tio anão era algo bizarro. E ter um tio anão com um dog alemão de melhor amigo beirava o nefasto. Agora dizer que o tio morreu conseguiu atingir um status inominável ao fato.


A irmã teve de providenciar um caixão de criança e decidiu fazer o velório em casa. Além de parentes, amigos e vizinhos, a imprensa pela primeira vez noticiaria a morte de um anão.

A causa do óbito não nos interessa. Fato é que, num momento de corre-corre, o sobrinho entra na sala e não vê o corpo do tio.

- Mãe, o Teobaldo levou o tio para a casinha dele.

Sim, Teobaldo era o dog alemão. A dor lhe era a mais intensa daquela casa, o problema era tirar o dono dele. O bicho se postou lá dentro, colocou a pata esquerda em cima do corpo e por lá ficou uivando e chorando.

Permitam-me uma pausa e desculpe-me pelo clichê – que só é clichê porque é verdadeiro – seria cômico se não fosse trágico. Um morto como brinquedo do cão. Ninguém dos mais próximos conseguiu tirá-lo do Teobaldo, que rosnava e latia ferozmente a quem tentasse tal bom senso.

Convidados chegando, imprensa já na porta, e a notícia não tardou, o mundo correu para o quintal e viu aquela cena inusitada. O cachorro, coitado, chorando a morte do amigo e comovendo a todos.

Pensaram em dardos tranquilizantes, mas a pintura era tão pueril, que as pessoas decidiram se ajoelhar e rezar por lá mesmo. Quem sabe o Teobaldo não cansasse e deixasse que o enterro fosse feito.

Duas horas depois, o cão não cedia e ninguém mais poderia intervir naquilo tudo. Estavam exaustos e comovidos.

E foi então que algo ainda mais aterrador aconteceu. Num instante, o cachorro arrastou o corpo para dentro da casinha. Saiu de lá e começou a cavar desesperadamente.

15 minutos ininterruptos e o buraco estava aberto. Ele parou. Entrou na casinha, trouxe o dono para fora e enterrou o corpo dele ali mesmo, sob os olhos incrédulos de todos, que aplaudiram emocionados a atitude nobre de Teobaldo.

Agora seria mais fácil. Um belo osso ao cão, e o enterro decente poderia acontecer. Mas não. O bicho se pôs ao lado do recém-fechado buraco e de novo começou a chorar e a uivar.

Não podemos saber se o tio tem agora tem um túmulo, o que se pode ter certeza é que os acessos disso no youtube passaram de 10 milhões.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

O ESPERMOGRAMA



O simples fato de ter de fazer um exame clínico pode gerar situações diversas. São raras as exceções, a não ser que seja um masoquista a alguns deles, que se pode ter prazer com isso. É que o rapaz tinha de fazer um espermograma.

Nunca pensou que tivesse de chegar a isso, mas, pela simples curiosidade de saber se um dia quisesse ser pai, ele teria de pôr em xeque seu poder de perpetuar a espécie.

Não precisou de jejum, porém precisou da abstinência de 5 dias para que o resultado fosse o ideal. Moleza, literalmente moleza. Alugou somente filmes ogros e decidiu que toda noite se focaria apenas em sangue, murros, espadas e qualquer tipo de macheza.

E tal ritual seguiu com louvor durante a semana toda. Apenas a pizza e coisas calóricas e sangue. Sentiu-se orgulhoso por não ter respondido aos 4 sms's tentadores. Julgou-se vencedor, quando ignorou as mensagens no facebook e teve a tentação de tentar olhar os e-mails do Tonicão ignorada.

No sábado, estava logo cedo para acabar com isso. Pela sede, arriscou alguns pensamentos mais libertinos durante o caminho e arriscou uma troca de mensagens mais ousada com duas amigas. Deu certo. Ambas responderam ao apetite apimentado do rapaz de modo quente.

E o medo de não ter êxito rápido foi vencido. Chegou louco ao laboratório. Foi recebido por uma atendente tentadora. Estava pronto. A ponto de bala. Foi chamado para uma sala reservada de espera.

Achou genial colocar mulheres sedutoras para tal.  Isso mantinha um marketing ousado e coerente para tal. Esperou por poucos minutos. Ainda aceso, quando apareceu uma senhora, a cara da avó dele, chamando pelo seu nome e dando as instruções:

- O senhor gostaria de algum incentivo?

Foi o ponto crucial para a queda da bastilha. Tudo o que era fogo virou gelo. Concentrou-se, releu as mensagens. Nada. Revistas, filmes, nada. Tudo o que vinha à mente era a sua avó, e era a ela que ele deveria entregar o recipiente com o material colhido. Como isso? 

Tentou ligar para as mais pervertidas que conhecia - um incentivo oral poderia ser útil - mas o chamado não deu certo, deixou recados. Concentração. Concentração. E o suadouro começou. E as batidas da senhora ajudavam o moral cair ainda mais:

- Tudo bem por aí, conseguiu?

Sentiu-se na adolescência quando a mãe insistia para que saísse do banheiro, mas dessa vez a testemunha sabia de tudo. Suor, suor, suor. Precisava de uma ajuda profissional. Disk sexo! A última solução. Mal a profissional atendeu, ele pediu rapidez e eficiência. Pressão mesmo!

 Ela tentou de tudo. Tudo. E nada. Além de pagar pela ligação, teve de ouvir um sonoro "broxa", o primeiro em sua vida. A avó na sua mente. A avó na sua mente. Quem poderia salvá-lo? Bateram à porta, era a Carminha, ouviu o recado e apareceu por lá. Decidiu dar um cala-boca no rapaz, e ele retribui com afinco.

Tudo parecia fluir bem, até que bateram à porta de novo. Não se sabe o que foi pior, se a voz da senhora, que trouxe a avó de volta ou o:

- Não esqueça que o material com saliva não vai servir de nada, viu?!



terça-feira, 12 de janeiro de 2016

A PITBULL E O NARIZ ROSA

Em meados de 2005, pra variar, estava numa incursão de uma banda. Ensaios e mais ensaios. Músicos promissores, hobbie promissor. Todos tínhamos nossas carreiras e uma diversão nos fins de semana. Havia químicos, empresários, professores etc.

Todos os sábados, eram 3 horas afinando o som e encurtando shows. Ao lado do estúdio, havia uma fábrica, sabe-se lá do quê. Pois o nome não me vem à mente, mas sabia que deveria ser algo de peças.

Solta, e geralmente na parte da frente do local – talvez para intimidar – havia uma pitbull branca, de nariz rosa e orelhas baixas. Linda. E, para mim, inofensiva.

Estacionávamos o carro do outro lado e, muitas vezes, atravessamos na direção do bicho, que apenas nos encarava e abanava o rabo, traiçoeira ou alegremente, até então era isso que me chegava...

Amo cães, mas nunca tentei uma aproximação maior, a lenda dizia que eram extremamente fortes e agressivos. Ela ficava apenas sentada olhando aqueles semimúsicos com ar de Beatles. Acabamos criando uma convivência longeva, de longe, e respeitosa.

Certa vez, parei o carro, olhei a ela, estava lá com um colar havaiano. “Genial”, pensei, que bela estratégia de marketing. Enfeitar o predador para que algum ladrão burro entre e seja morto com uma mordida na jugular. Parecia dócil e acessível, mas ainda assim, era uma pitbull branca de nariz rosa e orelhas baixas.

Depois de um ensaio, passei na frente da fábrica ao lado. A linda pitbull estava de novo de colar havaiano. Parei em frente, assoviei, ela abanou o rabo e deitou, pronta para um carinho. Por segundos, cri ser o ladrão burro, mas segui a intuição, enfiei as mãos pelas grades do portão e enchi aquela cadela de mimos.

Muitas vezes visamos algo, mas a realidade é outra. Não adianta querer enganar-se. Se conseguir ouvir o bom senso e sua intuição, siga-os. E foi o que aconteceu.

Parte daquela banda se separou, tomou caminho contrário, o que era óbvio. E nunca mais vi uma pitbull de colar havaiano, o que também é óbvio, porém ela foi uma das melhores surpresas e certezas que tive na minha vida.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

POBREZA DE ESPÍRITO

Se miséria existisse, viveria naquela cidade, que mais se parecia com um vilarejo dentro de uma província fincada no nada. Não havia moscas porque não havia carcaças, as mais concorridas da região.

Água, nem de chuva nem do homem. Comia-se o que dava, porque o que mais se fazia por ali era dar. E como se dá o nada? Dividia-se um vazio no prato e um buraco no estômago, mas a fartura no peito transbordava.

Comida nem no imaginário, não se pode ter imaginação sem oxigênio na mente, e o pouco que aparecia durante o sono era logo consumido pelos sonhos. E como se rezava por ali, cantos, orações e terços para um milagre acontecer. E se milagre pode ter outro nome, uma ONG os revelara.

Era um domingo, e não chovia quando aquele caminhão levantou poeira. Outros carros o seguiam. Os olhos fundos nem pensaram, apenas olhavam e não criam. Pessoas lindas, cabelos limpos e cheirosos. E de dentro daquele monstro começaram a sair coisas.

Saíam sacos, saíam garrafas, saíam produtos de limpezas e comida, muita comida. Os quase 300 habitantes não podiam sorrir ou chorar, muita complexidade para tudo aquilo. Só faziam esticar os mirrados pulsos e tentar segurar tanta coisa.

Logo as casas estavam abastecidas, as crianças enfim dormiam pela barriga cheia e não para esquecê-la. E quando pensavam que tudo tinha acabado e que poderiam enfim chorar ou agradecer. Apareceu um TV. Sim, eles já tinham escutado algo a respeito, e agora comprovaram que pessoas e a vida poderiam caber ali.

Reuniram-se em volta para ver qualquer coisa que pudesse e sorriram várias vezes, tocaram a tela outras mais. E por instantes se calaram e ficaram atentos. Não podiam crer que se podia pegar dinheiro de avião sendo atirado ao ar. Sim. Havia um bom homem que fazia isso, linda voz, diriam. E viam que existiam muitos como eles, desesperados atrás de uma nota ao menos.

Então, um grupo se reuniu, uns 10 ou menos. Levantou-se e cada qual foi até seu casebre. Acostumados a dividir, pegaram algo de dentro. Colocaram perto do caminhão, fazendo todos prometerem que ajudassem os coitados que se matavam pelo dinheiro.

Não era justo apenas eles serem agraciados se outros mais também - miseráveis como eles - careciam de atenção. O TV ficou, acabaria muito mais tarde que todos os provimentos, mas tão leve quanto os corpos dos de lá estava a consciência de cada um deles.

Era abril e fazia 33 graus às 21h.

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

DONA MARIANA E O CARROSSEL


Aos 80 anos, dona Mariana queria andar num carrossel, era esse o pedido de aniversário. Não queria festa, não queria bolo, queria apenas andar num carrossel. Apaixonou-se por um aos 20 e deixou-se envelhecer, quando se torna criança de novo, para exigir tal capricho.


As netas não se conformavam, quem sabe uma viagem às origens, na Itália, com os filhos, uma festa surpresa, com amigos da infância, já sendo revirados em redes sociais etc. Nada deixava mais brilhantes os olhos da senhora que um carrossel.

Não havia um parque de diversão por ali há anos, o único que encontraram foi a 35 km de distância, um trajeto mínimo para que a magia acontecesse.


E naquele domingo, uma comitiva dos Manfredinni seguiu sob um sol escaldante, mas o ar-condicionado deixou a velhinha acesa. Não sabia aonde iria, no entanto julgou algo sério, porque se ninguém morreu ou casou e todos estavam presentes, deixou-se com bons fluidos.

E sorriu como criança ao notar o que estava prestes a acontecer. Sorriu como nunca sorrira na vida, porque teve a certeza de que os sonhos podem acontecer, mesmo que levem 60 anos.

As bisnetas a pegaram pelas mãos, e pode-se dizer que o clã preencheu o decadente lugar. Não havia mais do que 30 pessoas no parque. A comitiva quase dobrou o lugar. Entraram e rumaram direto ao carrossel. O filho mais velho preencheu com 50 reais a mão da operadora, pedindo que Mariana fosse sozinha no brinquedo, umas voltas só dela, um sonho que se sonhou sozinha.

E assim aconteceu. Demorou quase 5 minutos para ajeitá-la no brinquedo. O parque parou. Visitantes, empregados, todos logo souberam de tudo e largaram por minutos a vida, porque quando sonhos acontecem, embalamos nos dos outros.

E o círculo se fez, tudo pronto. A roda começou a girar, não se sabia para onde olhar, se para o sorriso maravilhado de Mariana, se para as lágrimas de todos por ali ou para as palmas que embalavam cada aceno que ela dava em cada volta, sentada num cavalinho rosa.



Talvez as voltas tenham durado uns 5 minutos ou menos. Mas foram os 5 minutos mais felizes de uma mulher que venceu a Segunda Guerra, perdeu o marido com 5 filhos. Trabalhou como costureira e abriu o próprio ateliê. Expandiu para o Brasil e dois países da América do Sul e para Itália a sua marca.


Seis idiomas. Um patrimônio que poderia comprar a Disneylândia, mas o que ela realmente queria eram as voltas no carrossel.

Quando parou, todos aplaudiram e ela acenava feliz, feliz. O filho mais velho chegou e perguntou se queria mais voltas. Disse que não, "realizar um sonho era divino, mas abusar dele seria indigno".

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

O SINO AINDA NÃO TOCOU


Sentou-se na praia deserta. Olhou adiante e, tão indeciso quanto as ondas, ora desejava ser engolido por uma ora torcia para que algumas não o pegassem. Olhou aos lados e só sentiu a brisa forte. Respirou fundo.

Teve a ideia de se levantar e andar. Teria de andar, talvez sentir a areia prender-lhe os movimentos, não poderia saber se algo o agarrava ou se desfazia do passado. Não percebeu que o mar apagava suas pegadas. Talvez desejasse que apagasse as dores que acumulou até aquele dia.

Não havia sol e pensou ser como sombra, intocado por nada. Teve a certeza de que Cristo não teria passado quarenta dias em reclusão, porém era disso que precisava. Andaria por 40 dias, ficaria calado por 40 dias, purgar-se-ia por 40 dias.

Havia ninguém por ali. Caminhou por uns 15 minutos e, como na vida, sentiu que, mesmo andando, parecia estar no mesmo lugar. 15 anos deixados para trás, os mesmos 15 minutos deixados para trás. Respirou fundo. Ajoelhou e passou a cavoucar a areia com o indicador, como se pudesse procurar algo, desvendar outro ou esconder mais um.

Não se lembrou se deixou os chinelos no carro. Sentiu frio, sentiu-se só, mas não solidão, um vazio, porém não se entristeceu com isso, apenas sentiu. Tentou deixar o som em volta dizer o que tinha de ser dito. Deixou que a própria consciência tentasse gritar mais que a maresia daquela tarde cinza.

Sentou-se nos calcanhares, abraçou os joelhos e não imaginou até quando pudesse ficar daquele jeito. Procurou alguma resposta em mais uma onda que chegava e perdeu as contas de quantas esperou para isso acontecer.

Viu um siri, que tentava se enfiar na areia. Pensou em ajudá-lo, preferiu não. Enfim,  o bicho conseguiu.

E foi então que soube que tinha de fazer, a única coisa cabível, a última chance e mais uma de acertar. Tantos anos andando de lado, decidiu ser siri e se esconder no mundo, enfiar-se na vida e tampar-se com os dias.

Voltou ao carro, pôs-se na estrada e seguiu. Os chinelos ficaram na praia mesmo, pois os pés que os calçaram uma vez agora não lhe serviriam mais.