segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

O TEXTO QUE MINHA MÃE ACHOU QUE NÃO ERA MEU

      Falar sobre leitura é quase que ar para mim. Respirar letras e aspirar orações são atividades mais do que habituais, são a minha vida. Porém até chegar a isso e ter essa consciência houve um longo caminho. Caminho esse que pode ser percorrido por qualquer pessoa desse Brasil. Sempre que inicio uma aula sobre esse tema, costumo perguntar aos alunos qual é a importância dele. E há muito tempo deixou de ser surpresa o “não sei” que escuto de modo rotineiro. É comum ouvir pessoas falando que ler é importante, e quase nunca  a derradeira pergunta é feita: “Importante pra quê?”.

            Imagine o cérebro sendo um músculo, se não exercitamos esse músculo, ele acaba atrofiando. Ler é estimular o raciocínio, é engolir conceitos, devorar palavras, vivenciar histórias. Só se torna leitor lendo, lendo tudo que lhe possa passar pelos olhos. Deve ser um hábito, quase como um ritual natural. Muitos falam que não gostam de ler, entretanto não se atentam que sempre o fazem. Acabam associando leitura a livros somente. Mas e as revistas, as legendas, mesmos os recados em redes sociais, email’s, torpedos? Todos leem todos os dias e não sabem disso.

            Então, se formos associar essa deliciosa mania a livros, recomendo que comecem pelos infantis. E isso é válido? Sim. Sempre. Pode-se aprender com todos os níveis de leitura. Um ótimo leitor antes de tudo é um excelente observador. Num livro infantil há desenhos e por quê? Porque a criança, que ainda não tem esse domínio, pode associar a história aos traços coloridos. Mesmo que seja uma forma de podar a imaginação do leitor, ainda assim é uma forma de incentivar que as ilustrações, aos poucos, passam do papel e ficam apenas na criatividade de quem corre os olhos pelas páginas. Sempre existe uma outra história sendo contada dentro dos desenhos.

            Passemos então a outros níveis de linhas. Comecem a ler assuntos que dão prazer a você. Todos temos nossas predileções, e passar a colocá-las em palavras é quase um curso contínuo e irreversível. Uma história que lhe seja agradável, semelhante à outra. Ou um outro trabalho de um autor que acabou de lhe despertar emoções e satisfazer seu intelecto. E de repente, você é leitor. E uma vez formado jamais deixa de ser. Sem querer, não se acaba percebendo quantas páginas que o guiaram até isso.

            Existe leitura a tudo, desde gibis a filmes, desde músicas à vida e que resulta em uma fonte inesgotável e insaciável. Quanto mais se pratica, mais se quer praticar. Quem me desmentiria se eu dissesse que matei moinhos com Dom Quixote, que caminhei de mãos dadas com Vergílio, que enjoei no mar com Hemingway, que estava na batalha em que Camões perdeu um dos olhos, que tentei encontrar com Alice o caminho de volta e que caí da vassoura voadora de Harry Potter.

Falar que fiz essas viagens pode ser nada original, e que o passaporte foram os livros, então, menos ainda. Porém quem já cansou de ouvir isso é leitor. Desejo que cansem mais pessoas e que um bom livro seja a cama de todos nós.  

sábado, 8 de dezembro de 2012

O DIA QUE OS PACIELLOS PEGARAM A ESTRADA PARA O INFERNO

Todas as bandas têm a sua história, o seu primeiro dia de sucesso, o exato momento em que a lua, o sol e as estrelas se alinharam e focaram as luzes em algo mais reluzente ainda.

Seria fantástico ver de perto tudo isso.

Longe, bem longe disso tudo, joguemos nossas atenções em São Paulo, mais precisamente no bairro do Tatuapé. 1992. O pessoal da rua Lopes Moreira costumava frequentar um bar cujo nome serviria de catapulta a qualquer estrela do rock’n’roll, Costelinha!

E foi lá que meu irmão e eu começamos nossa longeva carreira na música. Experientes em churrascos, festas e o que viesse, éramos atração das rodinhas de violão, com as famosas revistinhas de cifras há tempos.

Fosse em São Paulo, em Rio Claro, no Rio de Janeiro, nossa fama corria os quatro cantos entre os familiares e amigos. Era comum em cantinas, daquelas que havia um trio de músicos que iam de mesa em mesa, pedirmos uma só pra sacaneá-los. Meu irmão sempre dizia: “Posso tocar então?” E a festa acontecia.

Parênteses aqui, Marcelo sempre foi o animador. Confesso que deixava o cara empolgar todos pra depois entrar. Oportunista? Nada, sábio, ele sabia fazer isso como ninguém.

Crescemos num ambiente musical. Lembro-me de um dia, numa das várias sessões de rock, o violão rodar entre 5 ou 6 dos 15 que lá se encontravam.

E em 1992, descobríamos o Costelinha , como ponto de encontro. Até que numa sexta, apareceu um rapaz, com violão e um teclado. Aquele som ambiente, nada empolgante.

Em determinado momento, ele começa uma melodia semelhante à outra música. O cara de pau do meu irmão se levanta – acompanhando o ritmo -  e começa: “Alô, alô, W Brasil! Alô, alô, W Brasil! Jacarezinho! Avião!” O bar veio abaixo cantando a moda de Jorge Benjor. O músico sorriu e se empolgou e mais uma vez, o Marcelo conseguiu.

Não satisfeito, depois dos aplausos entusiasmados de todos, porque o bar estava aceso – o Paciello mais velho falou ao músico: “posso tocar?”. Pegou o violão e me chamou. Tínhamos um repertório pronto. Daí, os deuses do rock nos iluminaram. A casa veio abaixo.

Um de nossos amigos desceu voando para casa, pegar a câmera de vídeo. Quando vi, ele apareceu no meio do bar filmando tudo. Acabou registrando a nossa entrada triunfal e a parceria que segue unida até hoje, mais de vinte anos juntos. Uma noite gloriosa, que antevia todos os incontáveis shows que protagonizamos.

Naquela noite, bar lotado, público ao delírio. Um violão e um microfone fizeram a diferença. Naquela noite, Marcelo Paciello e Adriano Paciello pegavam a estrada para o inferno, para nunca mais voltar!

 

  

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

OS NÚMEROS DA SORTE

Nunca deu ouvidos a crendices. Era cético. Tarô, quiromancia, mapa astral, religiões, vidência lhe soavam como um estelionato espiritual. Talvez porque tivesse medo, talvez porque desconhecesse ou talvez porque era preconceituoso mesmo.

As verdadeiras razões nunca saberemos, o que se sabe mesmo era que estava endividado ao extremo. Não pagava a prestação do carro há dois meses, bem como o seguro. O mínimo do cartão beirava os 3.500 reais, e o saldo devedor dos dois bancos já passava de 15 mil reais cada.

Naquela sexta, o desânimo cobria qualquer promessa de fim de semana, não havia dinheiro no banco, na carteira. O que lhe restava era o crédito do vale alimentação e os 300 reais que a mãe lhe dera para pagar à mulher do Avon, que ficaria sem eles ao menos até o fim do mês.

Não cria num milagre, porque milagres inexistem. Mal se concentrou no trabalho, mal conversou no almoço e recusou o happy hour. Saiu do escritório a pé, decidiu caminhar, diziam que andar ajuda a pensar, quem sabe se o fizesse por 15 km, até em casa, algo brilhante lhe ocorresse.  

Pelo caminho, passou por uma igreja. Por segundos pensou que tivesse pensando que entraria pra rezar. Mas o que um ateu faria pedindo a Deus. Como pedir algo, confiar a alguém em quem não se crê?

Seguiu adiante. Parou num bar. Pediu uma cerveja e uma porção de amendoim, porque seria menos de 10 reais. E uma mulher de meia idade sentou em sua mesa. Uma cigana, pedindo para ler a mão. Ele sorriu e disse que se ela soubesse a realidade, ele deveria pedir ajuda.

- Mas sou eu que vou te ajudar, anote 98-02-10-12-1

- Anote – ele puxou do celular - 98-02-10-12-1, o restante é com você... – e sumiu.

Não podia ser. Por mais cético que fosse. Como podia ser??? Não tinha como ela saber dos problemas financeiros do rapaz. Mas ela deu cinco números. Mesmo que a Mega-Sena trouxesse seis. Mas, se o restante era com ele, ao menos, a quina estaria garantida.

O sorteio correria no dia seguinte. 80 milhões de reais. Mesmo que não acertasse os seis, que viessem uns 100 mil, sua vida estaria refeita. E só precisaria de um jogo. Sorriu e não creu que creu nela.

Saiu de lá e conseguiu, por causa da procura, uma casa lotérica aberta. Encarou uma hora de fila por um único jogo. Não podia ser. Contas pagas, tranquilidade de volta.

Sorteio. Primeira bola: 98. Não podia ser! Segunda bola: 02. Sentou, porque em pé cairia e bateria com a cabeça. Terceira bola: 54. Mais duas, e a quina seria dele. Quarta bola: 22. Quinta bola: 34. Sexta bola: 04.

Queria se matar. Não por não ter acertado, por ter acreditado naquela mulher. Por ser o cético mais imbecil do mundo. Fez questão de olhar de novo os números do celular e os que anotou. Batiam. Apertou sem querer o ligar e desligou imediatamente.

Segundos depois, o celular tocou. Ele olhou e eram os mesmo números, sentou incrédulo enquanto dizia alô:

- Alô? Você ligou para mim. É consulta? Quer que eu leia a sua mão?

 

 

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

DEIXE-ME VIVER!

Poderia ter escrito muitas coisas aqui, poderia ter aberto meu coração como um hidrante no verão... Seria esse pedido abaixo que eu faria à vida, pelo menos hoje, pelo menos nos últimos dias... 






 

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

A ROSA, A LOUSA E UM LATIDO!

Faria apenas 4 anos, mas sabia que podia cuidar de um cãozinho. E como não é sempre que se faz 4 anos nessa vida, pediu para que a professora lhe ensinasse a escrever: “Eu quero um cachorro de aniversário”.

Treinou por quase três semanas ininterruptas e pediu que o segredo ficasse entre elas. Sempre gostava de merecer o presente, e teve a certeza de que se colocasse os pais a ver as letras saindo-lhe das mãos, seria atendida.

Levou a sério quando, sentada com o pai, vendo um medalhista no pódio, perguntou por que ele estava lá, “porque ele fez por merecer”. E se correr como um louco, coisa que ela fazia sempre, ele ganharia aquela medalha, uma frase, um pedido, se caprichasse nas borboletas, seria o suficiente para ganhar seu cachorro.

Tentou à exaustão escrever tal qual à letra firme da professora, mas a danada deveria merecer um zoológico inteiro. Comparou as frases e sempre se esquecia do traço em cima daquela letra barrigudinha.

Pediu à mãe que, quando faltassem 4 dias para o aniversário dela,  a lembrasse, pois havia um pedido a ser feito. E tudo foi realizado. Depois do jantar. Ela pegou a pequena lousa, firmou bem a mãozinha e escreveu na pior das caligrafias, porém na melhor das intenções.

A mãe teve de sair, porque não saberia explicar as lágrimas. O pai a abraçou fortemente e também teve de se conter, quando ouviu se a medalha dela seria um cachorro.

E então, o pai a sentou no chão e disse que daria primeiro a ela uma rosa. E ela tinha de plantar essa flor no jardim. E que, se em 4 dias a rosa continuasse viva, ela ganharia o cachorro. Disse que teria de dar água à flor, atenção, cuidados necessários para que não morresse. E só assim ela estaria pronta para cuidar de um amigo mais intenso.

E os três foram até o jardim. E a menina plantou a rosa e jogou as primeiras gotas de água. E nos próximos dias, ao menos por um período, ela fez o que o pai pediu. Saía para a escola e beijava a flor e pedia em silêncio para que ela não morresse. E quando voltava da escola, sorria ao vê-la firme e linda.

E dava outro beijo nela. E o ritual se repetiu por 4 dias. Na manhã do seu aniversário, ela correu para a janela e sorriu feliz ao saber que estava pronta.

Desceu na ponta dos pés e notou o movimento fora da casa. Ouviu as vozes dos pais e dos avós. Ouviu um latido e sorriu o sorriso mais luminoso desse mundo. Abriu a porta e o filhote veio voando em sua direção. E ela rolou com ele pelo chão e soube que aquele seria o melhor presente que teria na vida.

Um dia talvez entenda a lição daquilo tudo. Não foi a flor, não foi a frase ou até o seu amigo, foi ter a certeza de que sonhos se realizam porque realmente eles existem.   

 

 

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

A MENINA DA AGENDA

Trabalhar em motel é um balde de histórias e entretenimento. As bizarrices e preferências vão do nojo ao requintado. As recepcionistas, apenas no olhar, sabem se são casai de namorados, de amantes, uma aventura apenas ou segredos que é melhor não revelarmos.

E existiam as curiosidades. Como a daquele rapaz, que toda semana, de segunda a sexta, aparecia por lá em horários variados, com mulheres variadas. Exceção às sextas-feiras, quando sempre ele chegava primeiro e a moça - talvez uma filha cujo pai desaprovava o namoro ou mesmo uma segunda namorada – chegava religiosamente 20 minutos depois.

No primeiro mês, era o assunto do local. Recepcionistas do turno da noite, camareiras, cozinheiras e os rapazes que sempre estavam por lá cuidando do jardim e de tudo o que um estabelecimento desse precisa, sabiam da rotina.

A partir do segundo mês, já se tornava rotina. Os olhares já eram de uma vizinhança sadia. Os bons-dias se tornavam mais frequentes. Simpático o rapaz, trabalhava com o pai, um empresário no ramo de pneus, e ímã para todas.

E a recepcionista era a única que achava aquilo tudo absurdo. Vivia jurando que entregaria o rapaz à moça da sexta-feira. Até pensou que poderia levar a mulherada para uma outra coisa, mas não, as camisinhas sempre eram usadas. Ele até inspirou o local a começar a vender Viagra.

E a moça o odiava. Não o olhava no rosto, sempre pedia a suíte 32, e ela praticamente colocava todo o desprezo e asco na situação. Como podia aquilo? Uma fixa e todas as demais variadas, em dois meses? Ela contou 33 mulheres, 32 diferentes, isso era mulher para uma vida toda de um grupo de 10 homens, muitas vezes.

Até que naquela semana, ela havia tomado uma decisão, na sexta-feira, ela colocaria tudo em prática. E o Don Juan da zona leste esperaria mais do que vinte minutos. Estava decidida, mesmo que todos implorassem para não se envolver, mesmo que custasse o emprego dela, até para sacanagem deveria haver respeito.

4 dias naquela semana, 4 novas mulheres - 37 agora na estatística - tudo como sempre. 1h30 de estada, 82 reais de conta, pagas com dinheiro. Nada de novo. Até que sexta chegou.

As recepcionistas da noite não foram embora. As arrumadeiras e demais empregados ficaram alerta. 8h30, como sempre, o rapaz chegou e estranhou que a mal-humorada sorria e dizia “a mesma de sempre?” com uma docilidade contagiante. Ele estranhou, mas devolveu o gracejo.

20 minutos depois, a menina chegava. Não podemos ouvir daqui o que conversam, mas se percebe uma certa contrariedade no olhar da motorista, que, em poucos minutos, entra e sai do motel. Ela tinha conseguido.

Triunfante, sorridente e com aquele olhar de só os ambiciosos têm quando o objetivo é alcançado – sai da recepção, sob os olhares perplexos de todos, segue para a suíte 32 e, ardilosamente, se transforma na mulher número 38.

Não ficou mais que meia hora, porém, agora, todas as sextas-feiras, entre 15h e 16h, ela deixa de ser empregada e passa a ser cliente do local.

domingo, 2 de dezembro de 2012

O DIA QUE JOGUEI A LIBERTADORES DA AMÉRICA

Serginho Fraldinha,
no Palmeiras em 1990
Em 1982, por influência do meu irmão gêmeo, excelente zagueiro, tornei-me jogador federado de futebol de salão. O talento do Luciano era visível, e não me incomodava de ser o irmão dele. Ficava na reserva, tínhamos a mesma posição praticamente, foram raras as vezes que entrei em um jogo.

Um ano depois, já mais propenso a seguir pela música, dividíamos a zaga titular de um pequeno clube do Tatuapé, o Milionários. Os jogos eram às sextas-feiras e não posso dizer que era algo empolgante.

Mas houve um jogo contra o Corinthians. Éramos do Mirim e o time deles era ótimo. E tinha um linha de ataque excelente, na qual um moleque, arisco, franzino e talentoso se destacava dos demais.

Serginho Fraldinha, era o apelido dele, o tamanho e a categoria pela qual se destacou faziam dessa lenda o terror dos zagueiros.

Naquele dia de 1983, a quadra estava lotada. Nosso uniforme preto e amarelo nunca esteve tão reluzente. E caberia a mim marcar o demônio. Lembro ainda de pedir ao técnico se ao Paciello talentoso não seria melhor a função.

Mas meu irmão era uma espécie de líbero, excelente na defesa e muito útil no ataque. “Siga onde aquele moleque for, Adriano, se ele for ao banheiro, dê a descarga” – disse o técnico.

Os Paciellos, que de italianos e de palmeirenses só faltava o turbante, entraram na quadra com os olhos vidrados. E aquele gravetinho loiro já entrava em meu olhar. Torcida fazendo um barulho do inferno.

E Serginho Fraldinha era o cão. Ágil demais, acompanhar o desgraçado era como tentar pegar um frango. Habilidoso  e muito rápido, mas também tinha lá seus truques. Na primeira bola comigo, usou o cotovelo no meu peito. Falta. Nada.

Reclamei e meu técnico me pediu silêncio e fôlego. Segunda e terceira bolas, segunda e terceira cotoveladas. A tensão começou a se transformar em raiva. “Lu, eu vou matar esse filho da puta”, disse ao gêmeo, que me pediu calma, porque eu estava entrando no jogo dele.

Quarta bola, cotovelo. Quinta bola, cotovelo. E foi assim com a sexta e a próxima.

Já babando de raiva, não mais escutei meu irmão, o técnico o qualquer outra coisa. Até meu pai e meu irmão mais velho, da torcida, me pediam calma. Mas o juiz não via o cotovelo daquele moleque.

Cego de ira, afastei a marcação, deixei que ele dominasse a bola e viesse ao meu encontro. E foi o que aconteceu. Ele jogou abola para o lado, que passou lisa, mas ele não. Um senhor chute de direita, e levantei o meleque do chão, que caiu berrando.

Mal tive de tempo de olhar para ele e rir, e vi o cartão vermelho na mão do juiz. Fui expulso. O técnico do Corinthians retirou o time de campo e eu, literalmente, acabei com o jogo e com a minha carreira.

Não foi um lance para meu pai gritar da torcida, “Olha lá, é o meu garoto!” – Mas se pudesse voltar no tempo, eu o teria chutado de novo e pisado no tornozelo dele.

Maldoso, eu? Nada, na Libertadores é assim que se joga!  

P.S.: em 1990, como jogador profissional, Serginho foi para o Palmeiras, e numa bola perdida, meus irmãos me incentivaram a correr ao alambrado e dizer que eu o encontraria de novo!